Taça Brasil

HISTÓRICO

Fonte: http://www.campeoesdofutebol.com.br

A Taça Libertadores começou a ser disputada em 1960; nessa época, como no Brasil ainda não havia um campeonato nacional, foi criado a Taça Brasil, pela Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF), para se definir o representante brasileiro na competição sulamericana.

A Taça do Brasil era disputada entre os campeões estaduais. A grande diferença é que clubes de São Paulo e da Guanabara (GB), atual estado do Rio de Janeiro, entravam nas semifinais, com os clubes que sobrevivessem ao mata-mata das fases anteriores.

Estas fases eram divididas em outros sub-campeonatos como: Taça Brasil Zona Norte, Zona Central, Zona Sudeste, etc…

TAÇA BRASIL
Ano Campeão Vice Final
1968 Botafogo (GB) Fortaleza CE) 2×2, 4×0
1967 Palmeiras (SP) Náutico (PE) 3×1, 1×2, 2×0
1966 Cruzeiro (MG) Santos (SP) 6×2, 3×2
1965 Santos (SP) Vasco (GB) 5×1, 1×0
1964 Santos (SP) Flamengo (GB) 4×1, 0x0
1963 Santos (SP) Bahia (BA) 6×0, 2×0
1962 Santos (SP) Botafogo (GB) 4×3, 1×3, 5×0
1961 Santos (SP) Bahia (BA) 1×1, 5×1
1960 Palmeiras (SP) Fortaleza (CE) 3×1, 8×2
1959 Bahia (BA) Santos (SP) 3×2, 0x2, 3×1
Artilheiros da Taça Brasil
Ano Artilheiro/Clube Gols
1968 Ferretti (Botafogo/GB) 07
1967 Chicletes (Treze/PB) 09
1966 Bita (Náutico/PE) e Toninho Guerreiro (Santos/SP) 10
1965 Alcindo (Grêmio/RS) 10
1964 Pelé (Santos/SP) e Gildo (Ceará/CE) 07
1963 Pelé (Santos/SP) 08
1962 Coutinho (Santos/SP) 07
1961 Pelé (Santos/SP) 07
1960 Bececê (Fortaleza/CE) 07
1959 Leo (Bahia/BA) 08
Taça Brasil Sudeste e Taça Brasil Central
Ano Campeão Vice Final
1968 (Central) Cruzeiro Atlético/GO 6×1 e 2×1
1967 (Central) Atlético/MG Botafogo/GB 2×3, 1×0 e 1×1
1966 (Central) Cruzeiro Americano (Campos/RJ) 4×0 e 6×1
1965 (Central) Siderúrgica/MG Atlético/GO 3×0 e 3×1
1964 (Central) Atlético/MG Rio Branco (Cariacica/ES) 1×1 e 1×0
1963 (Central) Atlético/MG Rio Branco (Cariacica/ES) 1×0 e 1×1
1962 (Sudeste) Cruzeiro Rio Branco (Campos/RJ) 1×1 e 1×0
1961 (Sudeste) América/GB Cruzeiro 2×1 e 1×1
1960 (Sudeste) Fluminense/GB Cruzeiro 4×1 e 1×1
1959 (Sudeste) Atlético/MG Rio Branco (Cariacica/ES) 2×2 e 2×0

O campeão da Taça Brasil Sudeste (depois Central) disputava o título da Ta&ccedila Brasil Sudoeste com o vencedor da Taça Brasil Sul. América e Botafogo, hoje, do Estado do Rio de Janeiro, disputavam o Torneio pelo Estado da Guanabara.

AS MAIORES GOLEADAS
DATA PARTIDA DATA PARTIDA
31/08/1960 Fluminense/GB 8 x 0 Fonseca/RJ 23/08/1959 CSA/AL 0 x 5 Bahia
19/11/1967 Grêmio/RS 8 x 0 Perdigão/SC 28/08/1960 Coritiba/PR 5 x 0 Paula Ramos/SC
28/12/1960 Palmeiras/SP 8 x 2 Fortaleza/CE 02/04/1963 (3)Botafogo/GB 0 x 5 Santos/SP
09/09/1962 Ceará/CE 7 x 5 River/PI 19/01/1969 (2)Bahia/BA 5 x 0 Moto Club/MA
30/10/1959 Sport Recife/PE 6 x 0 Bahia/BA 18/08/1968 Atlético/GO 5 x 0 Operário-VG/MT
30/08/1962 CRB/AL 0 x 6 Campinense/PB 30/08/1960 ABC/RN 5 x 1 Estrela do Mar/PB
25/01/1964 (1)Santos/SP 6 x 0 Bahia/BA (1) 27/12/1961 Santos/SP 5 x 1 Bahia/BA
06/09/1964 Paysandu/PA 0 x 6 Náutico/PE 25/10/1964 Santos/SP 5 x 1 Atlético/MG
13/07/1966 Paysandu/PA 6 x 0 Rio Negro/AM 27/10/1965 Grêmio/RS 5 x 1 Palmeiras/SP
11/08/1968 Paysandu/PA 6 x 0 Olimpico Clube/AM 01/12/1965 Santos/SP 5 x 1 Vasco da Gama/GB
02/08/1961 Metropol/SC 1 x 6 Grêmio/RS 27/08/1967 Rio Branco/ES 5 x 1 Goytacaz/RJ
07/09/1966 Cruzeiro/MG 6 x 1 Americano/RJ 24/09/1967 Atlético/MG 5 x 1 Goytacaz/RJ
09/02/1969 (2)Cruzeiro/MG 6 x 1 Atlético/GO 30/08/1959 Auto Esporte/PB 2 x 5 Sport Recife/PE
05/12/1968 Botafogo/GB 6 x 1 Metropol/SC 08/08/1965 Remo/PA 5 x 2 Sampaio Corrêa/MA
11/11/1961 América/GB 2 x 6 Santos/SP 17/11/1966 Santos/SP 3 x 5 Náutico/PE
07/12/1966 Cruzeiro/MG 6 x 2 Santos/SP

» O Fluminense/GB, Botafogo/GB, América/GB e Vasco da Gama/GB jogavam a Taça Brasil pelo estado da Guanabara, posteriormente o Estado da Guanabara foi anexado ao estado do Rio de Janeiro.
» Jogos válidos pelo campeonato de (1) 1963; (2) 1968; (3) 1962.

1966:

  • 22 participantes (zona norte e sul, divididos em 4 grupos – norte, nordeste, sul e central). O Cruzeiro, como campeão mineiro entrou pré-classificado para decidir o Grupo Central contra o Americano de Campos (7 e 14 de setembro – 4 x 0 e 6 x 1). Depois fomos campeões da Zona Sul, eliminando o Grêmio (9 e 23 de outubro – 0 x 0 e 2 x 1). Nas semi-finais (9 e 23 de novembro) eliminamos o Fluminense (1 x 0 e 3 x 1). Na decisão pegamos o poderoso Santos de Pelé e cia.
  • O primeiro jogo da final foi dia 30 de novembro, goleada histórica de 6 a 2 sobre o Santos, com Pelé, no Mineirão, com dois gols de Dirceu Lopes, sendo que já com 20 minutos estava 5 a 0. Uma grande partida que só perdeu em brilhantismo para a finalíssima, dia  7 de dezembro, no Pacaembu.  O Santos, uma equipe fantástica, vencia por 2 a 0 logo de cara e chovia, parecia tudo perdido para o Cruzeiro, principalmente depois que Tostão havia perdido um pênalti, veio, porém, a reação e a vitória 3 a 2, gols de Tostão (19 do 1.°), Dirceu Lopes (28 do 2.°) e Natal (44 do 2.°).
  • Grande conquista. Era uma época em que a rotina era ganhar. A equipe era uma família.
  • Time-base: Raul, Pedro Paulo, Willian, Procópio, Neco; Piazza, Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo, Hilton Oliveira – Aírton Moreira.

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06/03/2009 – Conmebol comenta sobre Taça Brasil

Almanaque do Cruzeiro (Henrique Ribeiro)

Cruzeiro campeão brasileiro de 1966 – diante de todas as evidências de que a Taça Brasil foi o primeiro Campeonato Brasileiro da história, até quando vai durar a teimosia da nossa imprensa esportiva e da CBF em admiti-la como tal?

Publicado no site da Conmebol a história da Taça Libertadores comprova que houve influência da UEFA em sua criação, pois a Europa já possuia um torneio continental de clubes desde 1955 e que era disputada pelos campeões de cada país.

Outro dado esclarecedor, que serve para desfazer uma das maiores injustiças cometidas contra a história do Cruzeiro Esporte Clube, é que o regulamento da Taça Libertadores definia que a competição seria disputada pelos clubes campeões de cada país. A partir de 1964 passou também a ter a participação dos vicecampeões. Assim, os campeões da taça brasil entre 1959 e 1967 foram homologados pela CBD como campeões brasileiros para entrarem na disputa.

A Conmebol também reconhece que o Brasil foi o principal mentor da Taça Libertadores. E que a proposta da CBD era a de um torneio entre os campeões de cada país! Isto é mais um indicativo de que a Taça Brasil foi criada para a disputa do título de “campeão brasileiro” sendo assim um Campeonato Brasileiro.

As pessoas no Brasil consideram que a Taça Brasil não é reconhecido oficialmente pela CBF, o que é contraditório, pois a própria entidade instituiu a disputa da Taça em dezembro de 1954 para ser disputada num campeonato brasileiro de clubes e que o seu vencedor seria homologado “campeão brasileiro”. Apesar de instituída em 1954 e o regulamento definido em 1955, a disputa da taça só ocorreu em 1959, porque o calendário trienal do futebol brasileiro de 1955-1958 ja estava aprovado e não poderia sofrer alterações por causa da Copa do Mundo de 1958.

O que é mais contraditório ainda é que os mesmos defensores da tal oficialidade reconhecem os vencedores dos confrontos entre o campeão da America do Sul e da Europa como “campeões mundiais”, sendo que a UEFA e a Conmebol sempre definiram a disputa como sendo pelo título Intercontinental. É bom esclarecer que apenas no Brasil é que este confronto é considerado como Mundial. Todo o planeta aceita o que é oficial: que foi em disputa da Taça Europeia-Sulamericana ou, como é apelidada por causa do “título oficial” que leva, “Taça Intercontinental”.

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A ACADEMIA CELESTE DA TAÇA BRASIL 1966

Fonte: http://www.benny75.com (2006)

Após 22 partidas pelo Campeonato Mineiro de 1965 e 6 pela Taça Brasil 1966, naquela quarta-feira, 30 de novembro de 1966, o Cruzeiro começava a escrever contra o Santos a página mais importante de sua história. A página heróica de seu primeiro título nacional. Um título que escancarou as portas da sala de jantar do futebol brasileiro. É bem verdade que ao se tornar o primeiro campeão brasileiro em março de 1960, no Maracanã, o Bahia já havia iniciado a demolição da velha ordem. Mas foi com a vitória contundente do Cruzeiro sobre o Santos que o Eixo teve de se curvar, colocar ponto final em seu torneio Rio-São Paulo e, humildemente, passar a disputar títulos nacionais contra o resto do país.

Vencedor de 11 dos 15 campeonatos paulistas disputados entre 56 e 69, 6 vezes campeão brasileiro nos Anos 60 (61, 62, 63, 64, 65 e 68), bicampeão sul-americano e mundial em 62 e63, o Santos foi o maior time do mundo entre o final dos Anos 50 e o final dos 60. Quase todos os santistas que atuaram naquelas duas partidas finais da Taça Brasil, eram de Seleção Brasileira: Gilmar, Mauro Ramos de Oliveira, Zito e Pepe foram bicampeões em 58 e 62. Pelé, tricampeão, em 58, 62 e 70. Carlos Alberto Torres, campeão em 70. Havia ainda Toninho Guerreiro, artilheiro da competição (ele e Bita, do Náutico, com 10 gols) que, vestindo as camisas do Santos e do São Paulo seria pentacampeão paulista, entre 67 e 71.

CINCO GOLS

A história do 1º tempo só pode ser contada por meio dos fantásticos – pela quantidade e qualidade – cinco gols da Academia Celeste. Tudo o mais que se disser, é dispensável. A 1 minuto, Evaldo recebeu passe de Tostão no meio de campo e percebeu Dirceu correndo em direção ao gol. O lançamento saiu preciso. Quando o meia se preparava para concluir, o lateral-esquerdo Zé Carlos, tentando desarmá-lo, marcou contra: 1 x 0. Aos 5, Dirceu recebeu de Evaldo e serviu a Natal. O ponteiro driblou Zé Carlos e chutou forte: 2 x 0. Aos 20, Oberdan saiu jogando, perdeu a bola para Dirceu, levou dois dribles e saiu de cena. Com a visão desimpedida, o Dez de Ouros chutou violentamente de fora da área: 3 x 0. Aos 39, a defesa do Santos sofreu intenso bombardeio. De dentro da área, Hilton chutou e Mauro salvou. No rebote, Evaldo disparou outra bomba, mas Oberdan impediu o gol. A terceira tentativa coube a Dirceu Lopes. Em vez de força, jeito: 4 x 0. Com a palavra o autor da obra prima: “Meu forte sempre foi o corte de fora da área. Como tinha muita velocidade e, naquela época, o futebol era mais solto, qualquer bola que eu apanhasse no meio de campo era um perigo para o adversário. Naquele lance, recebi a bola na entrada da área. Dei um corte no zagueiro, passei a bola do pé direito para o esquerdo e bati. Ela fez uma curva e enganou o Gilmar, que ficou agarrado na trave. Foi um golaço”. Aos 41, Dirceu driblou Mauro dentro da área e foi derrubado por Oberdan. Pênalti. Tostão fez inacreditáveis 5 x 0.

A FÚRIA DO REI

No final do 1º tempo, a caminho do vestiário, Pelé ouve o couro provocador da torcida mineira: “Cadê Pelé? Cadê Pelé?”. O Rei acenou para a torcida com a mão espalmada. Cinco gols? Não, cinco vezes campeão brasileiro, ele explicou. A verdade, contudo, é que, naquela noite, marcado individualmente por Piazza, Pelé não viu a cor da bola.

PÁ DE CAL

O Cruzeiro voltou relaxado pensando em barganhar o jogo: tocaria a bola e o adversário se contentaria em evitar mais gols. Mas, ao invés de aceitar o fato consumado da derrota, o Santos foi à luta pensando em remontar o placar. Nos vestiários, seus jogadores ouviram poucas e boas do treinador Lula: “É preciso parar esta linha de qualquer forma, se não parar no grito tem que ser no tapa, na botina, não pode é continuar desta forma. Eles estão fazendo a nossa área de avenida”. Deu certo. Aos 6 e aos 10, Toninho Guerreiro marcou: 5 x 2. A torcida assustou-se. Pelé tinha fama de, quando provocado, superar-se e virar resultados tidos como definitivos. Mas Tostão, Dirceu e Piazza retomaram o controle do jogo. Tocando bola com rapidez, o Cruzeiro voltou a colocar o Santos na roda. E a pá de cal sobre o pentacampeão brasileiro foi atirada aos 27 minutos. Evaldo recebeu passe de Tostão, driblou Oberdan e chutou forte, Gilmar deu rebote. Dirceu apareceu do nada para tocar para as redes: 6 x 2. Estava de bom tamanho. Daí em diante, os times limitaram-se a exibir sua técnica refinada sob aplausos ininterruptos da torcida. Era preciso economizar energias para o jogo decisivo, uma semana depois, no Pacaembu.

Cruzeiro 6 x 2 Santos

quarta-feira, 30 de novembro, no Mineirão, Belo Horizonte, jogo de ida das finais da Taça Brasil 1966, em 30 de novembro de 1966

Juiz: Armando Marques (carioca)Bandeiras: Joaquim Gonçalves e Euclides Borges (mineiros)Expulsões: Procópio e PeléRenda: Cr$223.314.600

Público pagante:Público presente: 90.000 (estimado) 77.325

Gols: Zé Carlos (contra), Natal, Dirceu Lopes, Dirceu Lopes e Tostão, no 1º tempo; Toninho, Toninho e Dirceu Lopes, no 2º
Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo e Hilton Oliveira. Tec: Airton Moreira
Santos: Gilmar, Carlos Alberto Torres, Mauro Ramos de Oliveira, Oberdan e Zé Carlos; Zito e Lima: Dorval, Toninho Guerreiro, Pelé e Pepe. Tec: Lula.
SOB PRESSÃO

Chuva forte, campo enlameado, poças d’água por todos os lados. Mais experiente, o Santos tratou de lançar bolas longas sobre a área do Cruzeiro para Pelé e Toninho forçarem os erros de William e Procópio.

Para não perder o meio de campo, Lula escalou Amauri no lugar de Dorval. Sua missão era ajudar Zito e Mengálvio a parar Tostão e Dirceu. E Piazza, que havia anulado o Rei no jogo de ida, sem poder recuar demais para não abrir brechas no meio de campo, ficou fora de jogo no começo do 1º tempo.

Com amplo domínio do jogo, o Santos abriu o placar aos 23. Pelé driblou William e chutou no canto: 1 x 0. Aos 25, após receber passe de Pelé, Toninho invadiu a área e deslocou Raul: 2 x 0.

Piazza recuou e voltou a colar em Pelé. O Cruzeiro respirou, começou a tocar a bola. O Santos arrefeceu um pouco seu poder ofensivo. Após descansar um pouco, voltou a atacar furiosamente nos últimos 5 minutos.

Aos 40, Pelé passou por Piazza e lançou Toninho entre Procópio e William. Raul saiu do gol e defendeu nos pés do centroavante. Um minuto depois, Toninho acertou a trave. Aos 44, Pelé ficou cara-a-cara com Raul. O goleiro fez milagre.

Terminou. Só 2 x 0. Graças à nós.

INTERVALO

Aírton Moreira, que na chegada a São Paulo, recebera apoio dos irmãos mais famosos, Aymoré e Zezé, estava perplexo. “Tá tão ruim que nem eu sei como consertar. Façam o que vocês acharem melhor”, recomendou aos jogadores.

Para piorar, num gesto de provocação, Mendonça Falcão, presidente da Federação Paulista de Futebol e Athiê Jorge Cury, presidente do Santos, procuraram Felício Brandi para acertar data e local do terceiro jogo. Foram enxotados, aos berros, do vestiário.

Felício aproveitou a visita inoportuna para mexer com os brios dos jogadores. Na volta, os craques conversavam, combinavam jogadas, animavam-se mutuamente. Estavam certos de que podiam virar o placar. Afinal, já haviam vencido duas vezes o time de Pelé naquele ano.

A DEMOLIÇÃO O PENTACAMPEÃO BRASILEIRO

O Piazza voltou disposto a parar Pelé. E o Rei ficou no bolso do Capitão. Sem a companhia do melhor do mundo, Toninho virou presa fácil para os compadres William e Procópio. Dirceu e Tostão começaram a cair pelos lados do campo. Sem o fôlego dos garotos celestes, Zito e Mengálvio se perderam na marcação. Sob pressão, a defesa santista começou a falhar.

Aos 12, Hilton serviu Evaldo que foi derrubado na área por Oberdan. Pênalti. Tostão bateu mal. Cláudio defendeu. A torcida santista se assanhou à toa. Apesar do gol perdido, o Cruzeiro continuava controlando o jogo.

Aos 18, Lima derrubou Natal na lateral da área. Falta para cruzamento. Mas Tostão bateu direto. De curva: 1 x 2.

A partir daí, o Cruzeiro esqueceu-se de qualquer cuidado defensivo e dedicou-se a atacar. Dirceu exibiu seu repertório de gingas e dribles. Aos 28, tirou Joel de sua frente com um drible de corpo e fuzilou Cláudio: 2 x 2. Bastava.

Nocauteado em pé, o Santos pedia só um empurrãozinho para cair. Aos 44, caiu definitivamente. Do lado esquerdo, Tostão passou por Lima e Zé Carlos e cruzou para trás. Chegando na corrida, Natal apenas cumprimentou Cláudio: 3 x 2.

Fim de jogo.

Enlameado, Piazza levantou a Taça Brasil, o troféu mais importante da história do futebol mineiro.

Santos 2 x 3 Cruzeiro

quarta-feira, 7 de dezembro, Pacaembu, São Paulo, jogo de volta das finais da Taça Brasil 1966

Juiz: Armando Marques (carioca)Bandeiras:Germinal Alba e Antônio Medeiros (paulistas)Expulsões: Procópio e PeléRenda:Cr$65.142.000Público presente: 30.000 (estimado)
Gols: Pelé e Toninho, no 1º tempo; Tostão, Dirceu Lopes e Natal, no 2º
Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco, Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão, Natal, Evaldo e Hílton Oliveira. Tec: Airton Moreira
Santos: Cláudio, Zé Carlos, Oberdan, Haroldo e Lima, Zito e Mengálvio, Amauri (Dorval), Toninho Guerreiro, Pelé e Edu. Tec: Lula
A MAIOR FESTA DE TODOS OS TEMPOS

A edição mineira do Jornal dos Sports, de 9 de dezembro, contou como foi a recepção aos campeões brasileiros: “Belo Horizonte toda se engalanou para receber o Cruzeiro, campeão da VIII Taça Brasil e o mais novo herói nacional. O Aeroporto da Pampulha, onde os jogadores desceram, foi pequeno para comportar a multidão que se aglomerou e se acotovelava para recepcionar seus jogadores vitoriosos. Foi a maior recepção já dada a qualquer pessoa ou clube, em Belo Horizonte. Moças em grande quantidade – a torcida do Cruzeiro está formada, principalmente, por jovens – saudavam seus craques com gritos de viva ou então chamando-os pelos nomes. Simultaneamente abanavam bandeirinhas do Cruzeiro, agitando no ar com toda a euforia.

Tão grande era o número de veículos que se dirigiu ao Aeroporto da Pampulha, que o tráfego ficou congestionado, como se fosse haver a realização de um grande clássico – como o próprio Cruzeiro e Santos, na outra quarta-feira. Buzinas estridentes não cessavam de tocar.” – O povo prorrompeu em aplausos – “Durante 15 minutos todos ficaram dentro do avião, esperando que fosse feito um cerco de proteção e se pusesse um cordão de isolamento em torno do aparelho. Tomadas todas as medidas de segurança, os campeões puderam sair do Viscount. Wilson Piazza, erguendo triunfalmente a Taça Brasil, foi o primeiro a descer as escadas do avião.

O sucesso foi total. O povo prorrompeu em aplausos de alegria. Lágrimas escorriam dos olhos das lindas moças, que continuavam agitando suas bandeirinhas sem cessar. Neco, Procópio e William saíram em seguida a Wilson Piazza. Receberam aplausos sem conta. Gritos, assobios, beijos jogados com as mãos, eram a forma mais espontânea de saudação ao Cruzeiro que chegava.”

DESFILE DE CAMPEÕES

“O Corpo de Bombeiros, presente a todas as legítimos manifestações do povo, cedeu seus carros bem limpos, com suas luzes acesas e sirenas tocando para que os jogadores do Cruzeiro fossem conduzidos ao centro da cidade, onde os esperava o Governador Israel Pinheiro. Em todo o percurso, o povo jogava até flores.

Os jogadores chegaram às lágrimas de tanta emoção. Tostão, conhecido como jogador calculista e que dificilmente se emociona, não as conteve e disse: ‘Puxa! Nunca pensei que teria recepção tão grande em minha vida. Sou calmo por natureza, mas estou emocionado com tamanho carinho de todos. Minha satisfação é completa. A vitória foi uma grande conquista para o futebol de Minas.’ Respondendo sobre o jogo e sua emoção, disse ele: ‘Estava confiando nela. O pênalti que perdi não chegou a me desanimar. Serviu, pelo contrário, como estímulo para continuarmos a lutando. E a recuperação veio logo em seguida depois, segura, até a vitória’.”

CHUVA DE PAPEL

“Do alto dos edifícios da cidade, a população mineira jogava confetes, serpentinas, papéis picados, jornais rasgados, além de agitar freneticamente os lenços brancos do sucesso. Gritos de ‘Viva o Cruzeiro’ ecoavam do alto dos prédios, repletos de pessoas e totalmente acesos. Até nas repartições públicas, embora não tivesse havido expediente, viam-se pessoas jogando papel picado.

O povo comemorou com grande carnaval a chegada do Campeão do Brasil, tributando-lhe a maior homenagem de toda a sua vida. Pode-se garantir que nenhum clube mineiro teve tão elevada acolhida como o Cruzeiro, ontem à noite, ao chegar de São Paulo, às 19h45, em um Viscount, da VASP.

Mais de cem policiais foram usados para conter cerca de 10 mil pessoas no Aeroporto da Pampulha. No comando da Força Policial, funcionou o Tenente Aladim Rodrigues Pinto. O Coronel Viana comandou os soldados da Base Aérea, enquanto o Tenente Takassugui comandou os bombeiros. Os cordões de isolamento impediram que, no auge do entusiasmo popular, ocorresse algum acidente. Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e até soldados do Exército foram utilizados no policiamento.”

A FESTA VAROU A NOITE

“Já usando as faixas de campeões com as quais desceram do avião, os jogadores do Cruzeiro foram recebidos pelo Governador Israel Pinheiro em um jornal de Belo Horizonte. Nessa hora, o governador falou com um por um, cumprimentando-os e dizendo que Minas sentia-se orgulhosa de contar com elementos tão valorosos que projetavam o nome do Estado em todo o mundo. À saída, a multidão voltou novamente aos gritos e vivas.

O policiamento voltou a funcionar. Mesmo depois que os ânimos cederam, altas horas, o povo ainda comemorava. Alguns torcedores mais animados que o normal entregavam-se às comemorações justas nos bares mais próximos, que continuaram cheios até de manhã.”

COMÉRCIO FATURA COM TÍTULO DO CRUZEIRO

Em seu inédito livro Redes da Bola, o historiador Bruno Fagundes conta a repercussão da conquista do título brasileiro: “O dia 7, então, vem triunfal, página épica do futebol mineiro. O Cruzeiro derrota o Santos por 3 a 2, depois de estar perdendo por 2 a 0 e Tostão haver perdido um pênalti. Estava quebrada uma hegemonia de cinco anos do Santos. A recepção foi calorosa em Belo Horizonte e, mais uma vez, o comércio deita e rola. A Taça Brasil está exposta em locais públicos.

A loja Oxford anuncia suas roupas numa fotografia em que os jogadores campeões estão vestidos com sua marca. O Pep’s, na Rua da Bahia, promove grande evento. Premia os campeões nacionais com um carnê de 500 mil cruzeiros para compras. Os campeões nacionais passam duas horas espalhados pelos três andares da loja distribuindo autógrafos, atendendo à massa humana, que faz gigantescas filas do lado de fora do estabelecimento. Também do lado de fora, defronte a vitrine, onde estava exposta a Taça Brasil, a charanga cruzeirense tocava. Dirceu, Piazza, Raul, Hilton e Natal eram os mais visados. Davam autógrafos num cartão, confeccionado pela loja, estampado com a foto do Cruzeiro com a faixa de campeão do Brasil.”

Uma resposta

  1. o artilheiro da taça brasil de 1963 foi o Ruiter do Confiança-SE com 09 gols

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