Dida
No início de 1994 chegou à Toca da Raposa um garoto alto, que no ano anterior havia impressionado o País inteiro com defesas sensacionais no Mundial de Juniores, conquistado pela seleção Brasileira, e na decisão do Campeonato Brasileiro, entre seu Vitória e o Palmeiras.
Com um jeito tímido e de poucas palavras, o garoto foi conquistando a confiança da torcida, que, há muito, desde os tempos de Raul, nào tinha um goleiro como ídolo. Os 19 anos pareciam multiplicados quando ele esbanjava experiência defendendo o gol do Cruzeiro.
Não demorou muito e passou a fazer parte da rotina da torcida Cruzeirense de, antes dos jogos, cantar com o maior orgulho do mundo: “Olé olé olá, Dida, Dida…”. Dida começou jogando em clubes de Arapiraca, interior de Alagoas, onde passou grande parte de sua infância. Primeiro fez um teste no Bahia, mas não foi aprovado. Voltou para casa e passou a jogar no Cruzeiro de Arapiraca. Depois foi levado por alguns conhecidos para o Vitória, quando tinha 17 anos, em 1992. Dida considera que a tranquilidade é sua maior característica, sempre fica concentrado no jogo e, quando toma gols, não entra em pânico, pois é muito importante que o goleiro transmita segurança à sua defesa, principalmente nos momentos mais difíceis de uma partida.
Títulos : Copa do Brasil (96);Campeonato Mineiro (94/96/97/98);Copa Master (95);Copa Ouro (95);Campeonato Baiano (92);Campenato Mundial de Juniores (93);torneio Pré Olimpico (96/2000); Campeonato Brasileiro (99 pelo Corinthians); Campeão Mundial Interclubes (2000 pelo Corinthians)
Clubes : Vitória (BA); Cruzeiro (MG); Corinthians (SP).
Seleção : Jogou pela Seleção Brasileira em (96/97/98/99/2000)
Dirceu Lopes
Foram muitos anos de espera, sem títulos nem ídolos, até que surgiu o sucessor de Abelardo, o Flecha Azul: Dirceu Lopes Mendes, o pequeno diabo que infernizou os adversários no Campeonato Juvenil do inicio da década de 60.
Ele começou a exibir seu futebol aos profissionais do Cruzeiro a partir de 1964 e se transformou logo no grande ídolo do time com seus dribles secos, sua velocidade e a maneira de comemorar os seguidos gols com um soco no ar, à moda Pelé.
Apesar de baixinho – Piazza só o chama assim, Baixinho -, nem os beques grandões conseguiam marcá-lo ou acertá-lo facilmente. Dirceu era rápido demais, pensava na frente de todos e executava as jogadas como um relâmpago. Pelé , grande admirador de seu futebol, foi quem pediu sua convocação para a Seleção Brasileira , aos 20 anos.
Dirceu formou com Tostão e Piazza o grande tripé da época mais gloriosa do Cruzeiro: os anos 60. Jamais houve um meio-campo tão eficiente como este do futebol mineiro, em qualquer época. Dirceu era o complemento perfeito para o gênio Tostão e a combatividade de Piazza. No time profissional, foi nove vezes campeão mineiro além de campeão da Taça Brasil (Campeonato Brasileiro).
Titular absoluto de todas as seleções mineiras formadas a partir de 1964 os cronistas o elegeram doze vezes “melhor jogador do ano” , e a revista Placar leh deu três Bolas de Prata como melhor da posição no Campeonato Brasileiro.
Em 1975, sofreu uma grande contusão no calcanhar, rompendo o tendão de Aquiles, e ficou parado por treze meses. Aos 30 anos voltou a jogar e ganhou passe livre. Foi para o Fluminense e, depois, para o Uberlândia, e aí encerrou a carreira.
Clubes : Vitória (BA); Cruzeiro (MG); Corinthians (SP).
Douglas
O grande ídolo da década de 80.
Criado na base, Douglas foi promovido aos profissionais ainda jovem. Tinha como principal característica o posicionamento, o bom passe e a garra.
Tornou-se ídolo da torcida num período de poucas glórias para o clube: a década de 80. Saiu em 1988, indo jogar na Portuguesa como ponte para o Sporting, de Portugal.
Retomou em 1992 para fazer parte da equipe que ficou conhecida como “Dream Team” e conquistou a Supercopa. Num fato inédito foi alvo de um movimento dos próprios atletas, que exigiram da diretoria a renovação do seu contrato.
Fica evidente a importância de Douglas não apenas para a massa torcedora, mas para a própria história do Cruzeiro.
Nome: William Douglas Humia Menezes
Nascimento: 17/03/1963
Local: Belo Horizonte – MG
Posição: Volante
Quando jogou: 8 anos (81-87 e 92-94)
Títulos: Supercopa em 1992, Copa do Brasil em 1993, Campeonato Mineiro de 1984, 1987, 1992 e 1994.
Joãozinho
Os franceses foram os primeiros a aplaudir de pé as diabruras daquele garoto que vestia a camisa 11 da Seleção Amadora do Brasil. Era Joãozinho, dono de uma habilidade incomum para conduzir a bola colocada ao pé direito, rente à grama, pronto para iludir o marcador com uma ginga de corpo e um drible inesperado.
Foi assim que ele apareceu no Mineirão em 1973, sucedendo a tantos pontas que marcaram época na equipe – Hílton Oliveira, Rodrigues e Lima. Ainda inexperiente, João Soares de Almeida Filho, mineiro de Belo Horizonte, ex-mecânico de automóveis, demorou a se firmar entre os profissionais. Mas, quando realizou uma sequência de jogos no time titular, nunca mais saiu; entrou para a galeria dos jogadores mais geniais que vestiram a camisa azul.
Suas atuações no Campeonato Brasileiro de 1975 levaram ao Cruzeiro à final. Em 1976, sua participação na campanha da Taça Libertadores da América foi antológica. Começou com um show de bola sobre o Internacional, no memorável jogo dos 5×4, no Mineirão. Em Lima, Peru jogou seu marcador ao chão três vezes numa mesma jogada – sem encostar nele, nem na bola. O público, admirado e incrédulo, só teve uma reação: levantou-se, jogou lenços e chapéus para o alto e aplaudiu Joãozinho. Na decisão da Taça, contra o River Plate, em Santiago do Chile, fez o gol da vitória num lance em que confirmou seu apelido – o Muleque da Toca: Nelinho preparava-se para bater uma falta, aos 42 minutos do segundo tempo, com o jogo 2×2 e, enquanto a barreira era formada, Joãozinho veio de trás e colocou a bola no canto: 3×2. Os argentinos, sem reação, só olharam para a camisa 11, correndo longe, socando o a ar , comemorando o gol do título.
Em 1981, sofreu uma grande fratura dupla exposta na perna direita, que o afastou dos campos por quase um ano. Demorou a se recuperar, esteve seis meses no Internacional de Porto Alegre e mais tarde voltou, para encantar a torcida celeste por mais um bom tempo.
Nelinho
Manoel de Mattos Cabral. Lateral direito e Técnico. Nasceu no Rio de Janeiro, em 26 de julho de 1950. Veio do Clube do Remo do Pará para o Cruzeiro. Jovem e ainda com saudades de sua cidade teve o apoio de Roberto Batata no Cruzeiro. Nelinho morava no Hotel Ipê e todas as noites saía com Batata.Quando mudou-se para o Hotel Esplanada passou a receber caronas para o treino do Ponta-Direita.
Batata era como um irmão para Nelinho. Mas era no campo mesmo que ambos se entendiam. Uma jogada entre ambos ajudou o clube a estraçalhar os adversários e conquistar o tetra campeonato mineiro de 72 a 75. Nelinho lançava Batata pela direita, que saía em diagonal nas costas do lateral, e ficava em frente ao zagueiro.Aí,era só passar pelo adversário e estar na cara do gol ou cruzar para area.
Para um jogador de defesa, Nelinho foi seguramente o mais eficiente e moderno lateral direito do futebol brasileiro em todos os tempos.Se era ótimo em sua missão de marcar,era perfeito e rápido para sair da defesa para o ataque,em combinações táticas com os companheiros,até surgir próximo à grande área para despachar seus “canhões”contra o gol adversário ou para efetuar cruzamentos perfeitos.
Clubes: Começou no Juvenil do Bonsucesso-RJ. Jogou ainda no América-RJ, Setubal(Portugal), Anzoategui(Venezuela) e Clube do Remo, do Pará, veio para o Cruzeiro.
Títulos: Campeão mineiro pelo Cruzeiro em 73/74/75 e 77;campeão da taça Minas Gerais pelo Cruzeiro em 73/75/79;vice-campeão brasileiro pelo Cruzeiro em 74 e 75;campeão da copa Libertadores da América em 76;vice-campeão mundial interclubes em 76 e vice-campeão da libertadores em 77.
Prêmios: Bola de Prata da Revista Placar em 1975, 1980.
Seleção Brasileira: disputou as Copas do Mundo de 1974 e 1978
Marcou 103 Gols pelo Cruzeiro.
Niginho
A família Fantoni deu ao Cruzeiro jogadores de indiscutível categoria, como Orlando, Nininho, Ninão, Fernando Benito e… Niginho. Todos eram cobras, mas igual a Niginho, nenhum.
Falar Leoníldo Fantoni em Belo Horizonte era a mesma ciosa que citar um nome qualquer. Ninguém saberia quem era. Mas, Niginho, ah… Os atleticanos, americanos, lacustres (do Guarany), villa – novenses, todos tremiam de medo. O centroavante Niginho era o terror de todas as defesas. Quando ele apareceu, jogando um futebol de gênio, o Cruzeiro foi tricampeão mineiro.
Ninão foi para a Itália, onde já estava Nininho , e pouco depois chamou Niginho para joga pela Lázio, de Roma – um timaço na época. Para desespero da torcida palestrina. Niginho, aos 20 anos, foi. O Cruzeiro perdeu o tetra e ficou longe das disputas do título. Enquanto jogou pela Lázio, Niginho foi ídolo – como era em Belo Horizonte. Mas recusou a convocação para lutar na guerra contra a Abissínia e voltou para o Brasil.
Recebido por uma delirante massa de torcedores, Niginho recolocou o Palestra em seu caminho de glórias. O time voltou a decidir títulos e recuperou o respeito dos adversários. Em 1943, 44 e 45, ganhou seu segundo tricampeonato, justamente quando o clube mudou o nome para Cruzeiro Esporte Clube.
Palhinha
Vanderley Eustáquio Oliveira. Atacante e Técnico. Nasceu em Belo Horizonte, em 11 de junho de 1950. Começou sua carreira no Barreiro, aos 10 anos. Foi descoberto pelo treinador, Lincoln Alves, do futebol de salão do Cruzeiro, aos 14 anos, onde passou a jogar como ala esquerdo. No ano seguinte, foi jogar no juvenil de campo e aos 18 anos, estreou nos profissionais. Achava complicado disputar posição com fenômenos do futebol como Dirceu Lopes, Tostão e Evaldo. Foi, na época, um reserva de luxo, um tapa-buraco do time.
Após a venda de Tostão para o Vasco, em 1972, passou a ser o titular do time. Conciliava a velocidade com ainteligência. Era um artilheiro, que a base de valentia, furava as defesas adversárias.
Destacou-se na campanha do título da Taça Libertadores de 1976, quando marcou 13 gols tornando-se até hoje o maior artilheiro brasileiro em uma só Libertadores.
Em 1977, foi vendido ao Corinthians por 1 milhão de dólares na maior transação do futebol brasileiro naépoca. Quando encerrou a carreira de jogador de futebol em 1985, numa rápida passagem pelo América, passou a ser técnico do time e iniciar esta nova carreira. Como técnico do Cruzeiro dirigiu o time em 20 jogos, em 1994.
Clubes: Cruzeiro (65 a 77 e 83/84); Corinthians (77 a 79); Atlético (80); Santos (81); Vasco (82);América (85)
Títulos no Fut. de Salão: Campeão da Cidade Infantil de Fut Sal 65, pelo Cruzeiro, quando
marcou 10 gols em 10 jogos
Títulos no Cruzeiro: Libertadores 76; Mineiro em 68, 69, 72, 73, 74, 75, 84; Mineiro de Aspirantes 67; Mineiro Juvenil de 66/67
Títulos em outros clubes: Paulista 77, 79 (Corinthians); Mineiro 80 (Atlético); Carioca 82 (Vasco)
Prêmios: Bola de Prata da Revista Placar em 1975. Técnico: América (85); Atlético (87); Rio Branco-MG (88).
Piazza
Poucos jogadores do Cruzeiro foram tão discutidos – e tão eficientes – como Wílson Piazza. Contratado em 1963 para armar o grande time que estava sendo preparado para conquistar o Mineirão depois de sua inauguração, ele talvez tenha sido a escolha mais feliz do ex-presidente Felício Brandi. Piazza entrou como uma luva no time. Lutador e dono de uma incrível visão de jogo, ele sempre se sacrificava para que o Cruzeiro alcançasse uma vitória importante. “Levo uma bola por baixo das pernas, se isso servir para um companheiro ganhar a jogada mais atrás, explicava ele.
Humilde , Piazza nunca se preocupou em ser o melhor em campo – e quase sempre era, pelo menos para o técnico e os jogadores. Não fazia jogada de efeito, mas estava sempre onde a bola ia cair. Tentar dribá-lo era um fracasso garantido para os atacantes.
Sua importância foi tão grande como a de Tostão para a conquista da Taça Brasil e o pentacampeonato mineiro. E mais ainda para ganhar a Taça Libertadores da América, em 1976, quando o Cruzeiro já não tinha Tostão.
Parou de jogar em 1979 por causa de uma sinfisite púbica, mas até hoje a torcida lembra dele como o maior volante que vestiu a camisa azul em todos os tempos.
Procópio
Revelação do Renascença, Procópio foi contratado em 1959. Em sua primeira passagem formou a zaga com Nilsinho, Massinha e Cléver nas conquistas dos Estaduais de 1959 e 1960.
Foi para o São Paulo em 1961, mas voltou ao clube em 1966, durante a disputa da Taça Brasil, quando fez dupla com William na conquista do título nacional.
Num jogo contra o Santos, pela Taça de Prata de 1968, foi atingido por Pelé e rompeu o tendão do joelho. A contusão aconteceu na melhor fase da carreira, quando aguardava a convocação para a Seleção. Depois, afastou-se dos campos por cinco anos, período em que foi supervisor e técnico do juvenil do clube.
Em 1973 Procópio retornou ao futebol. Com técnica e espírito de liderança, contribuiu para levar o jovem time do Cruzeiro às finais do Brasileiro de 1973 e 1974. É tido como o melhor beque da história azul.
Nome: Procópio Cardoso Neto
Nascimento: 21/03/1939
Local: Salinas – MG
Quando Jogou: 1959 – 1961 e 1966 – 1973 e 1974.
Títulos: Taça Brasil em 1966; Campeonato Mineiro em 1959, 1960, 1967, 1968 e 1973.
Raul
Ele chegou a Belo Horizonte como um desconhecido qualquer. Nos primeiros meses, foi reserva de Tonho – um veterano. Quando entrou, não saiu mais. Certa vez, sem camisa de goleiro para vestir, pegou emprestado um blusão amarelo do lateral Neco e entrou com ele em campo, para espanto de todos. Mas fez sucesso e, desde então, acabou a monotonia das camisas cinza, pretas ou brancas.
Depois disso, batou mostrar sua competência. Rapidamente, Raul tornou-se o maior ídolo do público feminino no Brasil. As mulheres passaram a ir ao Mineirão, coisa que nunca tinham feito antes, enquanto os homens deliravam com suas defesas sensacionais.
Raul Guilherme Plassman foi com certeza o ídolo que mais tempo viveu nos corações cruzeirenses. Promoveu transformações na rotina do futebol por sua sinceridade nas entrevistas. apontando falhas e erros do time ou até mesmo confessando: “Detesto futebol”.
Não parecia. Raul era dedicado e bom profissional. E por sua causa as torcidas organizadas acrescentram, ao azul e branco da bandeira, o amarelo de sua camisa. Até hoje as cores do Cruzeiro são essas três. Raul chgou à Seleção Brasileira e foi o jogador que mais títulos importantes, conquistou no futebol mineiro: dez vezes campeão estadual, campeão sul – americano, e várias vezes vice-campeão brasileiro. Em 1978, foi vendido ao Flamengo e acrescentou a sua coleção os títulos de bicampeão brasileiro, bicampeão sul – americano e campeão do mundo.
Apesar de suas qualidades, Raul nunca disputou uma Copa do Mundo – a grande frustação, que confessou em sua despedida, a 21 de dezembro de 1983, no Maracanã. Nesse dia, aos 38 anos, vestiu pela última vez a camisa amarela. Depois tirou a do corpo e a devolveu ao mesmo Neco.
Ricardinho
Com 1,70m de altura, corpo franzino, peso médio na casa dos 60Kg, o craque Ricardinho vem provando que um volante não precisa ser uma máquina musculosa, mas sim ter futebol, bom fôlego e visão de jogo.
Com sete anos de Cruzeiro, clube do seu coração, ele é um colecionador de títulos. Chegou para o juvenil celeste em 1993 e, um ano depois, pouco antes de completar 18 anos de idade, já obtinha seu primeiro título profissional, no time Azul estrelado que venceu um Mineiro de 1994.
A história do início da carreira de Ricardinho não é muito diferente daquela vivida por tantos jogadores, que com talento e perseverança obtiveram êxito em suas carreiras.
Após a fase das alegres peladas de rua com os amigos de infância, o menino começou a jogar no Açucareira time de sua cidade, Passos, no sudoeste mineiro.
Mais tarde em 1993, o Cruzeiro foi jogar em sua cidade contra o Esportivo, pelo campeonato mineiro, Ricardinho disputou a preliminar pelo seu clube, o Açucareira, contra o mesmo Esportivo, na categoria juvenil. Vendo a preli- minar estava o Salvador Masci, diretor de futebol do Cruzeiro, que gostou muito do estilo daquele garoto.
Dias depois, Ricardinho apareceu na Toca para o sonhado teste . O treinador do juvenil era Eduardo Amorim, que também gostou de seu futebol, mas pediu para que o garoto voltasse alguns dias depois, pois havia muitos jogadores para a posição. Ricardinho voltou e nunca mais saiu da Toca.
O garoto foi vencendo desafios, inclusive o da saudade da família : “Vestir a camisa profissional do Cruzeiro era e é o sonho de todos os garotos das categorias de base e, como meu pai trabalhava em Passos e não podia vir para Belo Horizonte, fui morar na Toquinha, com saudades da família, claro, mas sempre otimista com relação ao futuro”.
Ronaldinho
Cruzamento da direita apanhou o menino Ronaldo de costas para o gol. Cercado por dois zagueiros corinthianos, o centroavante cruzeirense pulou como se fosse cabecear e, com estilo, dominou a bola no peito. Depois, sem deixá-la tocar o chão, virou o corpo desferiu uma bomba que passou, caprichosamente, rente à trave superior. O lance espetacular deixou boquiabertos os torcedores presentes ao Pacaembu, no dia 10 de novembro, e ofereceu um bom resumo das muitas qualidades do camisa 9 do Cruzeiro: frio, preciso e ainda de tudo, surpreendente.
Ele tem uma qualidade rara no atual futebol brasileiro, testemunha o inesquecível Tostão, tricampeão mundial de 1970. Toca pouco na bola, mas, quando o faz, é capaz de decidir um jogo.
Ronaldo balançou as redes adversárias 12 vezes nos 14 jogos do Cruzeiro no Brasileirão de 1994. E de todas as maneiras. Até mesmo roubando, com a sutileza de um batedor de carteiras, uma bola dominada pelo experiente goleiro Rodolfo Rodríguez, do Bahia, para fazer seui quinto gol naquela partida – o Cruzeiro venceu por 6×0.
Exatamente por isso, o técnico Carlos Alberto Silva optou por lançá-lo na equipe do início do campeonato, repetindo o que fizera com Careca no Guarani em 1978. Não há comparação entre os dois, mas Ronaldo tem uma habilidade fantástica, avalia Carlos Alberto.
O garoto chegou à Seleção Brasileira com o mesmo jeito simples com que buscou um espaço nos juvenis do Flamengo, em 1991. Foi aprovado, mas não pôde permanecer no clube por falta de dinheiro para a condução entre o distante subúrbio carioca de Bento Ribeiro, onde morava, e a Gávea.Assim, foi parar no São Cristóvão, onde acabou descoberto por Jairzinho, então técnico: “Jair me deu muitas dicas sobre como me comportar contra os zagueiros.”
Daí em diante, a caminhada foi rápida. Convocado para a Seleção Brasileira Juvenil, disputou o Campeonato Sul – Americano da categoria em 1993, sagrando-se campeão e artilheiro da competição com oito gols. Depois disso, Jairzinho comprou seu passe, ficando com 45% e vendendo 55% para o time mineiro.
Não esperava tanto sucesso em tão pouco tempo, diz Ronaldo. Nem toda a torcida brasileir, que já começava a se acostumar com o o sorriso infantil e os gols de raro oportunismo da nova sensação da Toca da Raposa.
Sorín
No final de 1999 surgiu um nome na Toca: Juan Pablo Sorín. Pouca gente conhecia o futebol desse argentino. Muita gente chiou, reclamou, falou besteira. A imprensa parece que torceu para ele não vir. Acompanhei a negociação via Diário Olé da Argentina. Pelo que lia, me parecia que Juampi viria para a Toca. Torci, sofri e esperei a vinda desse argentino do qual eu conhecia o futebol, sabia que era craque, que era um dos melhores laterais do mundo. Talvez uma das maiores contratações da história do Cruzeiro.
A passagem de Sorín pela Toca começou atribulada, não foi o Craque que ele sabe ser, mas foi o suficiente para ganharmos a Copa do Brasil mais uma vez. No segundo semestre ELE foi o gigante. Sem dúvida a maior estrela da campanha da Copa João Havelange, Sorín foi aclamado o melhor jogador do Cruzeiro em 2000.
Jogador rápido, voluntarioso, brigador, raçudo. Sempre deu gosto em ver o pequenino Juampi em campo. Fez a torcida acreditar que poderíamos ser tricampeões da Libertadores. Mas por um descuido do acaso, uma brincadeira do destino, Juampi não pode jogar aquele jogo contra o Palmeiras. Ele estava defendendo as cores da melhor seleção do mundo na atualidade. Ficamos com orgulho em vê-lo jogando com Verón, Batistuta e Simeone, dá até para torcer um pouco por eles, mesmo sendo a Argentina.
A passagem de Sorìn no Cruzeiro pode estar acabando. Desde o início sabíamos que seria breve essa união entre Sorín e a Torcida. Sabíamos que algum clube europeu o levaria embora. Sabíamos que Sorín queria ir para Europa. Quase que foi para o Valência, depois para o Napoli e agora parece que o Lazio quer leva-lo embora.
Sabíamos que isso iria acontecer, sabíamos que você iria embora, era questão de tempo. Tentamos acreditar que sua passagem pelo Cruzeiro fosse eterna. Se realmente você for embora, ficaremos aqui, de longe, torcendo por você, mesmo quando jogar pela Argentina, com aquele olhar orgulhoso. O mesmo olhar que temos por Ronaldo e Geovanni. Ficaremos com uma ponta de orgulho se você estiver no grupo campeão do mundo em 2002. Você, Sorín, vestiu a camisa do Cruzeiro como poucos, e com certeza vai deixar saudades.
Gostaria, ou melhor, gostaríamos muito que você jogasse para sempre no Cruzeiro, mas acima de tudo obrigado.
Autor: Stimpy – Rodrigo Araújo.
Zé Carlos
Um autêntico cruzeirense
Por Luiz Ricardo Fini, especial para a GE Net
Apontado como o “carregador de piano” do Cruzeiro por mais de uma década, José Carlos Bernardo, o Zé Carlos, fez parte de duas gerações vitoriosas do time celeste. Entre os anos de 1965 e 1977, o volante entrou em campo ao lado de craques como Dirceu Lopes, Tostão, Jairzinho, Palhinha e Joãozinho, mas não teve seus méritos ofuscados e conseguiu colocar seu nome na galeria de ídolos da torcida celeste.
Zé Carlos defendeu o Cruzeiro em 628 jogos, sendo até hoje o atleta que mais vestiu a camisa da Raposa. Apesar de ser um volante, o jogador primava pela técnica e não escondia sua admiração pelo meia Ademir da Guia.
“Eu me preocupava com a técnica porque é o que tem de prevalecer em qualquer jogador de meio-campo. Se eu errasse mais de três passes em um jogo, voltava para casa com raiva de mim mesmo, até se ganhasse prêmios e fosse elogiado por colegas”, comenta Zé Carlos.
No Cruzeiro, o jogador formou ao lado de Dirceu Lopes, Tostão e Piazza o “quadrado mágico”, meio-campo responsável pela conquista de muitos títulos do clube mineiro na década de 60. A genialidade do quarteto era explicada pelo então técnico da equipe, Aírton Moreira, como o resultado da “juventude e entusiasmo de meninos que querem mostrar seu futebol ao Brasil”.
Em 1966, Zé Carlos fazia parte do grupo que surpreendeu o país ao vencer de forma incontestável o Santos de Pelé na final da Taça Brasil. O título mais importante de sua carreira, no entanto, foi conquistado bem mais tarde, em 30 de julho de 1976, quando participou da vitória por 3 a 2 sobre o River Plate na final da Copa Libertadores da América, no estádio Nacional, em Santiago (Chile).
Também merecem destaque no currículo do ex-volante os dez títulos mineiros que conquistou (65, 66, 67, 68, 69, 72, 73, 74, 75 e 77) com a camisa do Cruzeiro.
Nascido no dia 28 de abril de 1945, em Juiz de Fora (MG), Zé Carlos assinou seu primeiro contrato profissional em 1962, em um clube de sua cidade natal.
Em 1977, aos 32 anos, ele já era considerado um veterano no Cruzeiro e, assim, foi negociado com o Guarani. A transferência fez bem ao jogador, que foi um dos destaques do time de Campinas na conquista do Campeonato Brasileiro de 1978. Além do Bugre, Zé Carlos também atuou no Botafogo, Bahia e Uberaba, entre outros clubes. Em 1983, quando estava no Nova Lima (MG), o volante decidiu parar de jogar futebol para seguir a carreira de técnico.
Assinou contrato para treinar o Guarani em janeiro de 1984, mas ficou só até junho, quando foi substituído por Carlos Alberto Silva. Logo depois, Zé Carlos teve uma experiência diferente ao ir para o Mogi Mirim para ser jogador e técnico da equipe.
“Foi horrível. Em um jogo, estávamos perdendo por 2 a 0 e resolvi reunir o time no meio-campo na hora do intervalo. Falei que precisaria tirar todo mundo se quisesse ganhar. Assim, comecei tirando eu mesmo do time. Não dava para ver o jogo de dentro de campo”, recorda Zé Carlos, que ficou seis meses no Mogi.
Antes de encerrar sua carreira de técnico, em 1996, ele também comandou clubes como Botafogo, Avaí e Criciúma, além dos árabes El Rahed e Jabalen. “A experiência de ser treinador foi boa, mas preferi parar porque não gostava de fazer lobby”, afirmou o ex-volante.
Desde janeiro de 2004, Zé Carlos é diretor do clube da cidade de Sarzedo (MG) e assessor da Secretaria dos Esportes de Belo Horizonte.